Grande Expediente Especial lembra 40 anos da greve dos professores de 1979

Em 12/09/2019
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Os 40 anos da greve de 1979, realizada por professores das redes pública e privada de ensino de Pernambuco, foram celebrados no Grande Expediente Especial desta quinta. O evento, solicitado pela deputada Teresa Leitão, do PT, contou com a presença de parlamentares, sindicalistas e trabalhadores da educação.

Em maio de 1979, Sueli Silva estava em seu primeiro emprego, como professora de jardim de infância. Ela lembra que a maioria dos grevistas era formada por jovens que, assim como ela, não concordavam com a postura subserviente dos sindicatos em relação ao Governo, mas não tinham experiência e nem cargos sindicais. “Eu acho que para a maioria das pessoas era a primeira greve. Então você tava fazendo a sua primeira greve e tava ao mesmo tempo dirigindo a greve e enfrentando o aparelho repressor. No caso da gente, a Justiça do Trabalho, porque nós fomos a dissídio coletivo, e inclusive no nosso caso perdemos e muitos dos nossos companheiros perderam o emprego. E, no caso dos professores do setor público, o aparelho repressor do Estado”.

Após cinco dias de greve, os professores de instituições privadas de ensino conquistaram 60% de aumento salarial. Já os professores de escolas públicas, permaneceram em greve por mais 30 dias, mas não tiveram sua pauta atendida. O legado mais profundo do movimento, no entanto, foi a ascensão do chamado Novo Sindicalismo, mais ligado às bases e combativo na relação com os empregadores.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação, Sintepe, José Fernando de Melo, avalia que muitas conquistas da categoria têm origem na renovação da luta sindical iniciada em 1979. Mas ele alerta para o risco de subfinanciamento em razão da não destinação de recursos do Pré-Sal para a educação. Além disso, chamou atenção para o  não cumprimento da meta do Plano Nacional de Educação de investir 10% do PIB na área até 2024. E falou também sobre o fim da vigência do Fundeb, que é o principal mecanismo de financiamento da educação básica no país e expira em 2020. “Sem Pré-Sal, sem 10% do PIB e sem Fundeb, a gente pode estar fadado a voltar a uma situação da década de 80, quando professores recebiam menos de um salário mínimo e muitos passavam cinco, seis meses com salários atrasados”.

A deputada Teresa Leitão avalia que os espaços políticos ocupados por sindicalistas no período democrático são um avanço importante das lutas dos trabalhadores. “Nós temos vários parlamentares que vieram do movimento sindical. Então isso demonstra que o sindicato tem essa compreensão de que ele precisa trazer as suas bandeiras, trazer as suas reivindicações para exatamente essas esferas institucionais, essas esferas de poder que também legislam para o direito dos trabalhadores ser de fato respeitado”.

O deputado João Paulo, do PC do B, fez um apelo para que a luta de classes esteja no centro da pauta sindical e as mudanças ocasionadas pela indústria 4.0 sejam acompanhadas de perto pelo movimento.

Isaltino Nascimento, do PSB, lembrou o papel que os professores tiveram na consolidação de outros movimentos sindicais no Estado, a exemplo da formação do Sindicato dos Previdenciários de Pernambuco.